Dia 18 de abril, eu fui ao obstetra na consulta de 38 semanas, e ele disse que estava tudo bem com a Cecília. Explicou que eu poderia sentir contrações que seriam alarme falso e que era para ver o intervalo entre elas, porque poderia acontecer de ir correndo para o hospital nas primeiras contrações e depois elas pararem antes mesmo de chegar ao hospital. E por isso, era bom esperar o intervalo de 5 minutos entre elas. Mas como eu queria fazer cesárea desde sempre, agendamos o parto para dia 25 de abril, quando completaria 39 semanas.
Mas nem tudo podemos programar...
Dia 19 de abril, as 1:45h eu senti uma cólica parecida com cólica menstrual. Mesmo sendo um tempo depois de ter deitado, parecia que nem tinha dormido ainda. E pelo que meu obstetra havia me falado, aquela cólica seria uma contração.
Bom, o intervalo entre a primeira e a segunda contração foi de uns 20 minutos, e permaneceu assim até umas 3h. Depois diminuiu para 15 minutos, e depois 10 minutos de intervalo. Foi aí que fui terminar de organizar as malas para levar para a maternidade. Quando foi perto das 5h, diminuiu para 5 minutos entre uma contração e outra. Mandei mensagem para o obstetra para avisar sobre as contrações.
Ainda assim eu não tava acreditando que estava chegando a hora. Não liguei para meus pais ainda, pois achei que eles poderiam assustar em receber uma ligação tão cedo e as contrações estavam leves, então eu sentia que ia demorar um pouco. Tomei banho, pegamos as coisas e fomos para a maternidade as 05:45h. Sei que foi esse horário pois foi a hora que mandei mensagem para o fotógrafo pra avisar pra ele ficar preparado.
Chegamos lá na maternidade, ligamos para o obstetra e fomos para uma sala improvisada para aguardar, porque o hospital estava bem cheio. Mas eu estava deitada e confortável.
As contrações ainda apareciam de 5 em 5 minutos, e estava suportável.
O obstetra chegou, me examinou e confirmou que a Cecília ia chegar seis dias antes do esperado. Foi uma mistura de sentimentos de medo e ansiedade. Aquilo estava acontecendo mesmo.
Mas ela não estava encaixada, por isso demoraria algumas horas até ela nascer, então como eu já tinha na mente que queria cesárea, disse que não queria esperar. Com isso, foram preparar a sala de cirurgia, enquanto ainda aguardávamos.
Troquei de roupa e quando cheguei na sala de cirurgia, o anestesista era meu vizinho de frente. Fiquei muito aliviada por ter mais uma pessoa conhecida durante aquele momento.
Era troca de plantão, aí tivemos que esperar o pediatra chegar. Mais um momento de espera e ansiedade. Colocaram um acesso para o soro no meu braço esquerdo e depois foi a hora da anestesia na coluna. Eu morro de medo de agulha e nessa hora foi comprovado o medo, pois as minhas pernas tremiam de nervoso.
Assim que a anestesia começou a fazer efeito eu senti minhas pernas formigarem e não conseguir mexê-las foi uma sensação bem estranha.
Meu marido chegou na sala e ficou ao meu lado. Eu não estava conseguindo digerir o turbilhão de emoções de sentia, mas o medo era o maior deles. E naquela hora eu lembrei uma frase que a caixa de um supermercado disse para mim umas semanas antes: "eu estou relutando para dizer isso, mas Deus diz pra você aquietar seu coração, pois Ele já tem tudo preparado".
O anestesista disse para eu falar com ele caso sintisse enjoo ou dor. Quando disseram que ia começar, eu sentia que estavam mexendo na minha barriga, mas nada de dor. Passado alguns minutos, eu senti uma vontade bem grande de vomitar, falei para o anestesista, ele aplicou alguma coisa no soro e logo passou.
Foi então que escutei um choro. E só conseguia pensar "é minha filha mesmo!". Mas achei que demorou uma eternidade até levarem ela para perto de mim.
Eles abaixaram o pano que tava tampando pra eu não ver a cirurgia, e foi aí que vi a Cecília pela primeira vez. Ela era perfeita e eu só queria ficar olhando para aquele rostinho redondinho.
Meu marido foi acompanhar ela até o berçário, subiram o tecido e foram finalizar a cirurgia. Da mesma forma de antes, eu sentia que estavam mexendo na minha barriga e não conseguir mexer as pernas foi uma sensação bem estranha.
Depois de finalizado, me levaram para uma sala de recuperação. Um tempo depois, uma enfermeira levou a Cecília para mamar pela primeira vez e aquele momento ficará registrado na minha mente como uma forma de felicidade inexplicável.
Às 7:40h do dia 19 de abril chegou o meu presente, com 2,560kg e 46 cm, que mudaria a minha vida por completo.
A primeira neta dos meus pais, quinta neta da minha sogra, quinta bisneta da minha avó paterna e décima nona bisneta da minha avó materna.